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A imagem de um advogado fazendo dancinha no TikTok ainda causa estranheza para muitos. Afinal, trata-se de uma profissão historicamente marcada pela formalidade, pela linguagem técnica e por uma comunicação mais tradicional. Mas será que isso ainda faz sentido em um mundo em que até bancos, tribunais e instituições públicas já se reinventaram nas redes sociais?
É importante entender que o problema não está na ferramenta, mas no preconceito que ainda cerca os canais digitais no universo jurídico. Quando um escritório evita o TikTok por medo de parecer informal demais, ele também deixa de aproveitar uma oportunidade estratégica: a de se conectar com uma nova geração de profissionais e clientes que já consome conteúdo de forma dinâmica, visual e rápida.
Mais do que seguir tendências, estar em novos canais é uma forma de mostrar autoridade, traduzir temas complexos, tornar a linguagem jurídica mais acessível e atrair talentos que valorizam inovação e autenticidade.
Alexandre Secco e Gabriel Attuy discutem os preconceitos e as vantagens dos novos canais digitais, e mostram como a advocacia pode utilizar essas plataformas de forma estratégica no Advocacia.SA.
Veja 6 formas de quebrar o tabu e se posicionar nas novas plataformas:
Esteja aberto ao teste
- TV foi considerada “pouco refinada” quando surgiu
- LinkedIn era visto com desconfiança há uma década
- Instagram era ousadia para advocacia há 15 anos
- Reconheça que a mesma resistência se repete com cada nova plataforma
Quando a televisão se popularizou, muitos profissionais consideravam inadequado anunciar nesse meio “novo e pouco refinado”. Quem não se adaptou rapidamente enfrentou problemas competitivos. A história se repete com as plataformas digitais: o que hoje parece inadequado pode ser a vantagem competitiva de amanhã.
O LinkedIn, agora considerado canal respeitável e sério para a advocacia, já foi visto com desconfiança. Ter um perfil no Instagram era ousadia para escritórios há poucos anos. O que mudou não foi a lógica da comunicação, mas nossa percepção sobre essas ferramentas.
A geração que começou usando o Instagram quando era “coisa de jovem” hoje trabalha em escritórios e empresas, consumindo conteúdo jurídico nessas plataformas com total naturalidade. O mesmo processo está acontecendo com o TikTok.
Por isso, preste atenção nas possibilidades emergentes. Não é preciso ser um pioneiro ousado e radical, mas estar aberto ao teste. A comunicação precisa ir onde as pessoas estão, não onde preferimos que estejam.
Comunicação onde o público está
- Comunicação jurídica deve estar onde o público está
- Jovens talentos estão no TikTok
- O canal é neutro (o que importa é a mensagem).
- Uma vaga no TikTok pode alcançar quem não está no LinkedIn
A comunicação jurídica deve acontecer onde as pessoas estão — não onde gostaríamos que elas estivessem. Se jovens talentos consomem conteúdo no TikTok, escritórios que desejam atrair esse público não podem ignorar essa realidade por puro preconceito.
O canal, por si só, é neutro. O que realmente importa é a mensagem, o objetivo e a adequação ao público. Uma vaga de estágio bem divulgada no TikTok pode alcançar candidatos que talvez nunca visualizassem a mesma oportunidade no LinkedIn.
Não se trata de fazer dancinhas ou produzir conteúdo incompatível com a seriedade da área, mas sim de apostar em uma comunicação estratégica, que entende os hábitos de consumo de informação das novas gerações. Quem enxergar isso antes, terá uma vantagem competitiva real e sustentável no mercado jurídico.

Comunicar sem chocar
- Usar novos canais não exige conteúdo apelativo ou revolucionário
- Foque em mensagens consistentes e úteis que funcionam melhor
- Considere usar vídeos para substituir boletins escritos
- Aproveite os recursos para melhorar seu atendimento
Usar novos canais de comunicação não significa precisar revolucionar o conteúdo jurídico com mensagens chocantes. O que realmente funciona são abordagens consistentes, úteis e, às vezes, mais informais. É possível construir uma comunicação eficaz e adequada ao público, sem perder a seriedade profissional.
Um exemplo prático: ao invés de enviar um boletim escrito para os clientes, por que não optar por um vídeo? Essa alternativa pode ser mais rápida, prática e proporcionar uma experiência mais agradável. Um recado em vídeo pode fortalecer sua comunicação e melhorar o atendimento.
Estratégia antes da plataforma
- É a estratégia que define o canal (e não o contrário)
- Se você busca estagiários, pense em onde essa geração consome conteúdo
- TikTok pode não ser adequado para todos os objetivos
- Mantenha suas possibilidades abertas para evitar limitações
A discussão não deveria ser “TikTok sim ou não”, mas sim: qual é o meu objetivo e onde está meu público-alvo? O canal é neutro. O que importa é a clareza da mensagem, o objetivo e a
adequação ao público. Em vez de descartar a ferramenta, adapte o conteúdo.
O TikTok pode não ser adequado para todos os objetivos, mas vale a pena ter as possibilidades abertas. Se um escritório quer atrair estagiários bem preparados e dinâmicos, precisa considerar os canais que essa geração realmente utiliza. Ficar travado nas mesmas saídas de sempre – aquele post padrão no LinkedIn – pode significar perder oportunidades de comunicação valiosas.

Transforme limitações em vantagem
- A advocacia não pode usar outdoors como outros setores
- Restrições de mídia não são obstáculos
- Instagram, TikTok, YouTube, newsletters são opções dentro das regras éticas
- Você não precisa estar presente em todos os lugares
A advocacia enfrenta limitações que outros setores não têm. Não é possível fazer propaganda em outdoors como na Flórida, nem contar com orçamentos para mídia de massa. Por isso, cada canal disponível assume um papel estratégico.
As restrições de mídia não devem ser vistas como obstáculos. Invista em conteúdo informativo que educa, gera autoridade e respeita os limites éticos. Quando a mídia de massa não é uma opção, os canais digitais tornam-se ainda mais valiosos.
Instagram, TikTok, YouTube, newsletters e e-books são algumas das possibilidades dentro das regras éticas. Justamente por termos recursos limitados, não podemos descartar nenhum canal por preconceito.
Ser multicanal não significa estar presente em todos os lugares. Às vezes, a exclusividade é essencial para determinados tipos de conteúdo. O segredo está em escolher conscientemente onde investir energia e recursos.
Fique à frente da concorrência
- Atenção às possibilidades gera vantagem competitiva
- Não é preciso ser pioneiro radical (basta estar aberto ao novo)
- Mensagens precisam ser reforçadas em diferentes canais
- Pessoas não têm tempo (nem disposição) para absorver tudo de uma vez
Quem presta atenção às oportunidades e se mantém um passo à frente da concorrência pode conquistar uma vantagem significativa. Não é preciso ser o primeiro a adotar cada nova tendência, mas sim estar atento ao que faz sentido para o seu público e disposto a testar caminhos diferentes, com estratégia.
Abrir espaço para a experimentação — mesmo que em pequena escala — permite descobrir formatos mais eficazes de comunicação, ampliar o alcance e melhorar a conexão com diferentes perfis de audiência.
Mais do que nunca, é essencial abandonar preconceitos sobre canais e formatos. Em um cenário marcado pelo excesso de informação, pela fragmentação da atenção e pela disputa por relevância, a repetição e a presença em múltiplos canais não são exageros. A mensagem certa, no lugar certo, pode ser a diferença entre ser notado ou simplesmente ignorado.

